Carta #25 | sem rótulos

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Sabia que eu tenho uma dificuldade imensa de me apresentar em poucas palavras? Acho que o meu desinteresse por rótulos é uma escolha inconsciente de me afastar do que é definido - e de não querer enquadrar a minha personalidade em uma caixinha. Eu penso que colocar uma etiqueta nas minhas vontades teria um efeito restritivo indesejado. E uma vez que eu escolhi compartilhar esse meu modo de ser, eu sentiria que adotar um desses rótulos seria como reivindicar uma imagem de perfeição que está longe da realidade.

Em um mundo complexo, fazer escolhas pode gerar ansiedade quando nossas referências são os ícones de perfeição, donos da verdade. E já faz um bom tempo que venho colocando mais atenção nas minhas escolhas, cada vez mais consciente do impacto delas. Comecei tirando as carnes do cardápio, depois passei a ler as listas de ingredientes dos cosméticos, e mais recentemente a prestar atenção na quantidade de desperdício pelo qual sou responsável. Eu não fiquei parada em um desses pontos porque pensando no todo, não fazia sentido seguir esses caminhos separadamente.

Eu poderia vestir o uniforme do desperdício zero e usar um pote de vidro para guardar o meu lixo anual, mas eu também me preocupo em consumir produtos veganos, que venham de perto e de pequenos produtores. Nem sempre consigo que todos esses atributos sejam preenchidos. Como a gente define nossas prioridades quando temos alguns segundos no mercado pra escolher? É normal que a gente não tenha todas as respostas tão à mão quanto a lista de compras, ninguém tem. E a falsa ideia de que essa resposta existe não está tornando a nossa vida mais fácil.

Eu não estou escrevendo isso só como desabafo pessoal, muita gente me escreve porque não consegue fazer o que acha suficiente. Pode ser que você esteja nessa situação também. Por mais que eu repita que é melhor começar com o que está mais fácil, eu sei que a gente vai paralizar em algumas escolhas. Às vezes a gente simplesmente não tem ideia de qual é a escolha menos pior pro mundo. Se todas essas nossas preocupações são ambientais (pra não dizer também sociais, e econômicas) é difícil mesmo entender porque elas não andam juntas com mais frequência.

Torço por uma comunicação da sustentabilidade que seja mais realista e flexível do que a dos rótulos. Saber que a gente vai falhar em algum momento nos torna mais resilientes e faz com que a gente siga em frente, em vez de ser parado pela culpa. E é melhor fazer algo do que não fazer nada porque ficou parado no medo de não acertar.

Tudo isso se relaciona com essa minha nova fase. Sem rótulos, fico livre pra aprender, pra questionar, pra tentar, pra voltar atrás se precisar. Meu site novo tem um blog onde vou mostrar os meus percursos, as histórias que me inspiram e contar como é o meu processo de escolha, quem sabe faz sentido pra mais alguém. Como assinante dessa newsletter você vai ter a chance de ver primeiro. Clique para abrir:

 
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Vou adorar saber o que você achou, sugestões e críticas serão muito bem acolhidas. E não é porque agora tenho um site para organizar todo o meu conteúdo que essa newsletter deixa de existir. Continuamos esse papo mais pessoal por aqui. Se você chegou agora pode ler todas as cartas passadas nesse endereço aqui. E sempre pode responder esse e-mail para continuarmos nossa troca. Seja bem-vinda!

Beijos,

Fê Canna