Carta #11 | uma outra forma de beleza

Confesso que não me lembro exatamente como comecei a me interessar por beleza natural. Me recordo apenas da busca por produtos não testados em animais, motivada pelo vegetarianismo. É bastante provável que a pesquisa intensa tenha me levado ao universo dos cosméticos orgânicos e, indo um pouco mais a fundo, me deparei com a ideia dos produtos feitos em casa. Como sou apaixonada pelo fazer e pela produção de coisas do zero, me identifiquei imediatamente.

Como consequência, passei a acumular menos embalagens, menos produtos tóxicos e o principal, descobri como escolher melhor o que eu usava. O maior passo talvez nem tenha sido substituir todos os produtos usados no banho por apenas um sabonete natural em barra (sim, no cabelo também!). Pra mim a coisa mais importante que essa nova forma de enxergar a beleza me trouxe foi a possibilidade de aceitação e autoconhecimento.

Eu passei boa parte da minha vida brigando com o meu cabelo. Eu não gostava do formato dele. Aliás, eu tinha aprendido que meu cabelo não tinha formato e que para ter movimento e leveza era preciso alisar. Com uns 11 anos comecei a fazer escova e repeti essa prática diariamente até pouco tempo atrás. Mas eu não achava que tinha nada de errado com isso, afinal, eu nunca pintei, nunca alisei, não tinha nenhuma química envolvida, era um processo “natural”.

Constantemente eu me enganava falando que era mais prático ficar alguns minutos fazendo escova do que tentando arrumar ele de outra forma. Os shampoos convencionais me enganavam deixando os fios secos e meio alisados. Mas o problema é que a minha “solução” não me tirava apenas alguns minutos, eu sentia que eu acordava horrível e que precisava lavar e escovar para voltar a ser bonita.

A combinação do corte certo que respeita o formato do meu cabelo e a lavagem menos agressiva com sabonete natural fez com que hoje todo mundo elogie o meu cabelo e diga que prefere ele assim. Eu também prefiro, agora posso colocar o capacete da bicicleta sem medo, pegar chuva sem entrar em pânico, ir à praia. Uma amiga me falou que não combinava com o meu estilo de vida fazer escova, que quando eu contei pra ela, achou estranho. (É, Dani! Hoje eu também acho estranho!)

Eu posso tentar ser uma pessoa que eu não sou, mas eu nunca vou conseguir. Então decidi ser a melhor versão possível de mim mesma, com as minhas qualidades e os meus defeitos próprios. Não é o caso de julgar quem enrola ou quem alisa, quem usa maquiagem ou quem não usa, mas quanto do que a gente faz no nosso dia a dia é escolha nossa, quanto é resultado dos padrões a que somos expostas?

É por isso que tenho me sentindo muito bem ajudando mais pessoas a fazerem mudanças como as que eu fiz. No meu novo texto pro Ponto Eletrônico eu falo como a beleza natural tem sido uma arma importante de empoderamento para nós mulheres. Ele é super complementar à minha história pessoal, por isso esperei o texto entrar no ar para escrever essa carta. Clique aqui para ler.

Se você chegou agora pode ler as cartas passadas nesse endereço aqui. Seja bem-vindo/a/@! Vou adorar se você responder esse e-mail me contando sobre seu relacionamento com a beleza. Você tem alguma receita favorita? O que tem usado? Compartilhe comigo! ;)

Beijos,

Fê Canna