Carta #18 | coisas e gestos

Na última carta, a gente conversou por aqui sobre como fazer escolhas melhores, mais alinhadas com o nosso propósito, não foi? Eu acho que o final do ano pode ser um bom momento pra gente experimentar fazer isso. Quero propor dessa vez duas linhas de pensamento: uma é do movimento, o fazer; a outra é do gesto, o doar.

Ano passado, nessa mesma época, eu decidi fazer todos os presentes de natal que eu fosse entregar (e ainda juntei uma turma na minha casa pra todo mundo fazer junto). Esse passo foi natural, aconteceu quando eu questionei a necessidade de demonstrar carinho fazendo compras sem significado.

Fazer com as mãos mostra de várias maneiras que não precisamos seguir os caminhos pré determinados, que podemos fazer diferente. Nesse mundo que a gente vive, onde a correria é a desculpa mais usada para evitarmos os encontros com o real, permitir-se fazer algo com as próprias mãos e com tempo parece rebeldia.

E de certa forma também é uma rebeldia dizer não pra indústria e fazer pessoalmente todo o caminho da produção: encontrar uma ideia (ela pode estar entre suas referências de família ou até mesmo na internet), encontrar a matéria prima (muito legal quando você já tem: pense em uma geléia da amoreira do seu prédio ou um sal de ervas da sua hortinha), aprender como fazer e finalmente fazendo. Parece muito trabalho, mas tem tanto prazer envolvido que fica gostoso. Essa semana vou postar no meu instagram três ideias que qualquer um pode tentar!

Fazendo a gente vivencia os processos, e assim passa a se importar mais com os impactos. E a gente precisa assumir responsabilidades, né? Colocar menos coisas no mundo (menos papel de presente, menos embalagem, menos etiqueta, menos sacola) e cuidar mais da origem do que a gente consome é urgente. Não dá mais pra adiar, deixar pra turma de 2050 resolver. A palavra sustentabilidade não sai do nosso discurso mas ela raramente é pensada além da superfície.

E se de repente você não tem interesse em dar ou receber presentes no Natal e até acha melhor boicotar o espírito capitalista da data (e não correr o risco de cair novamente dentro do padrão de consumo intenso): Tá tudo bem! Uma outra possibilidade pode mudar os nossos hábitos, incentivando um gesto para o outro.

Se você sente que não está precisando de um presente, sugira aos seus familiares que façam uma doação em seu nome para uma instituição de sua escolha. Se, por outro lado, você quiser dar algo que faça a diferença, pense no que é importante para quem você vai presentear e escolha o projeto com base nisso. Essa ideia pode até levar a um amigo-secreto especial. Com a ajuda de alguns amigos, eu preparei essa lista colaborativa pra ser uma referência nessa hora, cada um indicou uma instituição ou projeto que apoia.

E o final do ano é só uma desculpinha, essas duas coisas podem ser feitas a qualquer momento. Não sei se você reparou mas essa carta tem vários bons links, neles tem muitas ideias boas pra ampliar as trocas sobre esse assunto e levar para o resto do ano.