Carta #8 | estilo de vida consciente é pra todo mundo?

Tenho refletido muito sobre quem é o público dos meus textos sobre estilo de vida consciente (aqui nessas cartas e em sites que colaboro). Será que você tem tempo, dinheiro ou conhecimento para abraçar uma vida mais sustentável? E será que isso realmente é um obstáculo? Qual seria a melhor maneira de adaptar a minha bagagem pessoal sobre o tema pra realidade de mais pessoas?

Me lembrei que comecei a escrever para compartilhar minhas experiências e inspirar mudanças de atitude. Desde que me tornei vegetariana (quase 15 anos atrás) venho caminhando em direção ao que acredito hoje, passando pela alimentação saudável, consumo local e orgânico, envolvimento com a natureza até a mudança para os cosméticos do bem, naturais e sem testes em animais. A influência de outras pessoas foi fundamental para essa construção. É por isso que eu acredito tanto no poder da informação.

É importante lembrar que pra mudar de vida a gente não precisa se desfazer de tudo que tem pra comprar versões mais verdes, ou fazer um cardápio alimentar completamente novo. Aliás, essa atitude é provavelmente o oposto de uma vida pautada por novos valores. Com conhecimento a gente pode ir driblando preços, com autonomia podemos fazer em vez de comprar. Também dá pra focar em viver com o que já temos, passar a receber menos influência desse mercado que promove o consumismo. E se eventualmente precisarmos mesmo de algo, podemos emprestartrocar ou alugar (as ideias dos links são maravilhosas, valem o clique!).

O ponto é que quando estamos certos do que a gente acredita fica simples resolver pequenos impedimentos. Escolher melhor na hora da compra é importante, mas tem muitas outras coisas que podemos fazer no dia a dia. Eu faço cosméticos com coisas que iriam para o lixo na minha cozinha (semente de maracujá, abacate passado, etc.). Não preciso apostar todo meu dinheiro em uma super comida da moda porque me alimento bem todos os dias. Eu frequento a feira orgânica sim, aqui no meu bairro nem tem tanta diferença entre ela e o supermercado convencional. Mas se for pesar no seu orçamento, que tal apostar na feira comum? Ou então plantar? Vai ser melhor do que do que comer produtos industrializados, com corantes e conservantes.

Me parece que quando nos colocamos em um pedestal e julgamos o que o outro vai conseguir ou não construir pela sua renda, por exemplo, só aumentamos a dicotomia entre pobre e rico. Podíamos combinar que essa é uma escolha pessoal que não nos diz respeito. É mais produtivo se a gente focar na própria pegada. Compartilhar com quem não tem as mesmas possibilidades também pode ser uma boa. Mas acreditar que pessoas com renda inferior não têm vontade de participar de uma transformação social e ambiental é muito raso, quem abre os olhos vê iniciativas muito boas por aí. Adoro mostrar o trabalho da Regina com o Favela Orgânica, de fazer inveja em muito hortelão urbano por aí.

Se você chegou agora pode ler as cartas passadas nesse endereço aqui. Seja bem-vindo/a/@! Fique a vontade para responder esse e-mail, vou adorar ouvir suas ideias e descobrir o que você tem feito por aí! ;)

Beijos,

Fê Canna