Carta #26 | momento de ouvir e momento de falar

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Olá,

 

Faz muito tempo que eu não apareço aqui na newsletter, eu sei. Eu mal reparei e já se passaram 5 meses sem nenhuma palavra enviada para vocês. Eu prometi que nosso contato por aqui não ia acabar agora que eu tenho um site com os meus conteúdos, mas desde então não enviei nenhuma carta nova. Já adianto logo aqui no primeiro parágrafo as minhas desculpas.

 

Hoje eu estava lendo a newsletter que a Dana do Wild We Roam escreve (toda semana, pasmem!). Falando sobre o que a consistência da escrita da newsletter trouxe, ela disse que não é uma pessoa super regrada mas que estava sendo legal pra ela manter essa frequência de newsletters. Eu acabei me lembrando do motivo pelo qual iniciei uma lista de e-mail e fiquei com saudades dessa nossa troca mais íntima, das nossas conversas tão gostosas.

 

Se eu criei esse espaço, que é só nosso, e que não depende de terceiros pro conteúdo chegar até vocês (e isso é importante pra mim), então não faria sentido eu sumir e não mandar mais notícias. Acontece que a gente tem passado por momentos obscuros, estamos afundando em notícias muito ruins e, confesso, isso me faz quase perder a vontade de falar sobre levar uma vida mais calma, onde o autocuidado e o cuidado com o mundo são importantes.

 

Conversando com uma colega de classe, experimentei um silêncio profundo em mim. Ela é de um país onde faz -5ºC no inverno e a população, por um conflito geopolítico, não recebe gás suficiente para ligar seus aquecedores no inverno. Ela falou que é difícil pensar em questões envolvendo o meio ambiente ou o consumo consciente por lá.

 

A gente pode se assegurar de que o papo sobre educação ambiental é imprescindível pra mudar o presente e o futuro, pois as mazelas sociais estão diretamente ligadas à problemas ambientais, um influencia o outro. Mas eu posso entender quando ela diz que faltam forças. A realidade dela é distante pra mim, mas com certeza não me faltam exemplos paralisantes como esses.

 

Eu compartilho desse sentimento mesmo estando em uma posição muito mais confortável. E por mais que eu acredite no poder transformador da consciência, tem algo de humano em mim que me faz ficar quietinha. Querer ouvir mais do que falar. Posso passar meses em momentos de ouvir, esperando a hora do momento de falar.

 

Mas são exemplos de pessoas que continuam resistindo, e não apenas existindo, que me reconfortam na falta de esperança e me inspiram a continuar. No fim, penso que mais importante do que mostrar que conseguimos fazer coisas boas, promover mudanças, é mostrar que somos todos humanos tentando fugir de uma vida robotizada e automatizada.

 

Além do mais, sempre me questiono se o tema que eu vou trazer aqui é relevante pra todo mundo, se vale o espacinho na caixa de e-mail de vocês. É porque sou insegura e perfeccionista, mas vamos deixar uma coisa já pré combinada? Se hoje meu conteúdo não te agrada, é só pular e voltar outro dia. Com esse acordo, quem sabe, eu me cobre menos e esteja mais presente por aqui. Se o espaço é de reflexões, como um diário compartilhado, o espaço para errar também está aberto e garantido.

 

Bom, se eu for esperar eu estar bem, o planeta estar bem, não vou aparecer por aqui nunca. Então quero dizer que por hora estou de volta, e espero ouvir de você. Minha caixa de e-mail está sempre aberta para receber respostas, para receber visões diferentes ou complementares.

 

Beijos,

 

Fê Canna