carta #30 | consumo consciente de conteúdo

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Eu estava escrevendo uma carta sobre a necessidade que tenho sentido de enfrentar o sentimento de impotência diante das notícias ruins e sobre a força de aceitar ser persistente ao invés de perfeito. Mas outra coisa não saiu da minha cabeça enquanto escrevia, então esse assunto vai ficar para uma próxima conversa.

Acontece que essa semana vi muita gente desabafar (pra não dizer desabar) sobre o esgotamento causado pela dinâmica de produtividade em tempos de redes sociais. Esse é um assunto que ainda não chegou ao fim pra mim, que tento conciliar a vontade de viver uma vida calma com um trabalho que depende de estar conectada e compartilhando na internet.

Meus amigos próximos me escutam reclamar desde o ano passado da minha dificuldade em produzir conteúdo em um ritmo que é forçado, que inclui dar respostas prontas e comentar em tempo real todos os acontecimentos do dia. Não que eu ache que a internet seja uma grande vilã, culpada de todos os nossos males, mas estar aqui tem mexido de forma importante com as nossas emoções.

Desde o começo, eu sempre quis que meu conteúdo contasse as minhas experiências, quis mostrar as coisas que aprendo como um diário aberto. Toda vez que eu me afasto disso para seguir as demandas vou me fechando, me escondendo mais da próxima interação.

E vocês podem perceber pela quantidade de vezes que eu toco nesse assunto por aqui, que estou mesmo buscando produzir só quando acredito que tenho algo para acrescentar. Estou assumindo compromissos para ter uma relação mais saudável nas redes e também contribuir para a reflexão sobre o assunto - ou fazer #ainternetqueagentequer, como resume bem a Contente.

// Valorizar o conteúdo que não é descartável

Já tem uma quantidade infinita de fotos, textos e vídeos na internet e a gente não precisa consumir apenas as publicações mais recentes dos criadores que gostamos. Podemos visitar os arquivos também.

// Me conectar com menos pessoas, de forma mais verdadeira

Mil pessoas nos jogando corações nas redes sociais ou uma pessoa com quem podemos ter uma conversa de verdade? Por uma vida com menos seguidores e mais amigos.

// Interagir para além das curtidas

Uma vez eu fiz o desafio de passar um mês sem curtir nenhuma publicação nas redes sociais. Ao invés disso, eu tinha que escrever um comentário. Isso fez com que eu experimentasse trocas menos automáticas.

// Não esquecer que atrás de um perfil na rede social tem uma pessoa

"Oi", "como você está?" e "obrigada" também podem ser usados na internet. São de graça e acompanham muito bem qualquer mensagem que você escreve pra quem está atrás da tela.

// Lembrar sempre da nossa motivação para compartilhar coisas na internet

Eu sei que as curtidas dão um sentimento instantâneo gostosinho, mas por que mesmo a gente decide tirar uma foto e postar? Por que dividir tanto da nossa vida nesse gigante banco de dados? Sempre bom ter essas respostas perto da gente.

// Parar de buscar validação na internet

Nenhum aplicativo serve como medida do nosso valor, da importância da nossa voz ou do sucesso do nosso trabalho. Ainda que eles tentem nos convencer disso. Tá tudo bem desativar um perfil, também tem vida fora das redes sociais.

// Pensar no impacto ambiental da produção de conteúdo

Precisa de muita energia e espaço pra manter servidores que cuidam pra que tudo que a gente já postou nessa vida esteja disponível online 24 horas por dia.

Esses são alguns hábitos que me parecem bons de cultivar. Com eles, acredito que todos nós podemos ganhar. Seja por relaxarmos da pressão de postar, seja por nos livrarmos da ansiedade de consumir. Você tem alguma sugestão pra fazer crescer essa lista?

Aqui tem mais alimento pro pensamento: A INTERNET NA VELOCIDADE DA VIDA da Nátaly Neri (em português) e DON’T LET THE APP GET YOU DOWN da Marlee Grace (em inglês).

Se você chegou agora pode ler todas as cartas passadas nesse endereço aqui. Se você gostou do conteúdo, seria muito legal se você pudesse mostrar essa carta para um amigo. E como sempre, você pode responder esse e-mail para continuarmos nossa troca.

// Esse texto foi escrito originalmente para a minha newsletter. Para se inscrever, clique aqui.