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Carta #9 | fazendo cada mordida valer a pena

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Tenho andado quieta mas com muita coisa acontecendo na minha cabeça. A matéria de capa da revista Vida Simples desse mês era “Como ter melhores conversas”. Fui fisgada, vivo pensando em como eu poderia fazer para me comunicar melhor, de forma clara e amorosa. O assunto nunca foi natural pra mim, que nasci introvertida. Mas não tem jeito, meu olho brilhou mesmo com uma matéria sobre comida.

Já que a revista não tem versão digital eu vou tentar resumir pra gente chegar no ponto que eu quero, tá bom? O texto do Rafel Tonon, chamado “Faça cada garfada valer a pena”, apresenta um manual prático de como ter refeições mais prazerosas e que surpreendam o paladar. Com dicas de especialistas como críticos gastronômicos e chefs, as ideias abordam trivialidades como mastigar melhor ou se manter offline enquanto aprecia o jantar.

Não tenho a intenção fazer uma crítica ao texto, eu concordo com o François Simon quando ele diz em seu livro Comer é um sentimento que “o apetite é apenas um ajuste, o alinhamento das coisas mais simples: um jornal, um sanduíche bem crocante, um lugar ao sol, o ar refrescante de um parque”. Não tivesse eu esse apreço pela refeição como ritual, não faria tantos piqueniques, não teria prazer em cozinhar para os amigos. Para ser sincera, eu até recomendo que vocês também o façam, pois isso deixa a vida mais leve.

Mas essa leitura me fez refletir sobre a minha relação com a comida. Ela é muito mais ampla do que o meu próprio prazer. Desde que me tornei vegetariana eu escolhi transformar minhas refeições em um ato consciente e nunca mais parei. Para além do abate animal, outros temas começaram a me interessar: a produção e o desperdício de alimentos, o uso de agrotóxicos, a saúde (ou falta dela) de agricultores que usam pesticidas, o poder da indústria, o impacto ambiental, etc.

Pra mim, toda vez que eu levanto o garfo, estou sinalizando que eu concordo com o que está no meu prato. Tenho vontade de cuidar para que todo o processo esteja de acordo com os meus valores, e é um exercício diário para sair do automático e questionar. De onde vem? Sobrou? Do que é feito? Mas não é simples, envolve tentativas frustradas, tem ocasiões que eu não tenho vontade de levantar o garfo.

Essa história rende comparações com outros universos (com a moda, com o ensino, com o esporte), mas talvez a comida seja um elo entre eu e você. Afinal, nem todo mundo liga pra cosméticos, ou produz lixo demais, mas pelas minhas contas ainda não inventaram um substituto mágico para a alimentação. Tem alguns documentários que eu gosto e indico sempre pra quem quer levar o assunto adiante: Vanishing of the beesFed Up,Muito Além do Peso e Cowspiracy.

Se você chegou agora pode ler as cartas passadas nesse endereço aqui. Seja bem-vindo/a/@! Quanto a mim, sigo tentando melhorar as conversas. E se a prática leva à perfeição, imagina que legal se você responder essa carta! Assim a gente pode praticar juntos.

// Esse texto foi escrito originalmente para a minha newsletter. Para se inscrever, clique aqui.

Carta #4 | aprendendo sempre

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É muito provável que você tenha chegado aqui buscando por mudanças. E o início de um novo ciclo pode ser um momento muito propício pra gente fazer um balanço e repensar nossos hábitos e nosso estilo de vida! É certo que eu vou tentar ajudar como puder nessa tarefa, inclusive contando como fiz mudanças na minha própria vida, compartilhando conhecimentos e descobertas.

Saiba que mudanças levam tempo e normalmente requerem um pouco de adaptação. Esqueça a pressão da virada do ano, faça no seu tempo. Só assim as mudanças serão duradouras. Tenho observado a motivação das pessoas para mudar, buscando o lugar de onde vem a energia transformadora delas. Percebi que as pessoas que mais me convencem e encantam se movimentam não com um projeto que vai sair na capa da revista ou na manchete do jornal, mas por uma vontade que vem do peito, um sentimento legítimo e espontâneo, nada ensaiado.

Um motor de mudança para mim sempre foi o aprendizado, não sei se é porque sou muito curiosa ou se é um caminho comum para muita gente. Alguém disse que a gente nasce pronto e vai desaprendendo: que bom! Assim a gente tem essa brecha pra entrar em contato com novas ideias, conhecer novas pessoas! Eu acho mágico sentar em uma sala com a cabeça vazia, ao lado de outras pessoas buscando as mesmas coisas, e fazer minhas anotações, ouvir atentamente cada palavra, perceber cada gesto.

Fiz um compilado de ideias para aprender já. Se você aceitar esse convite pra encarar 2016 com o copo vazio me conta da sua experiência. Me conta também o que você gosta de aprender, quem sabe entra na minha lista pessoal?

// aprendendo a cozinhar

Eu acho que todo mundo deveria saber cozinhar, pelo menos uns cinco pratos de sobrevivência. Isso deveria fazer parte do currículo escolar. Eu, que já sou iniciada na cozinha, estou muito interessada nessa aula de culinária Síria que faz parte do Migraflix, uma ação que tem como objetivo aproximar brasileiros de imigrantes com workshops culturais. A gente pode trocar muito com quem deixou sua terra natal em busca de uma vida melhor.

// aprendendo a fazer

Quem assina a newsletter desde o comecinho tá cansado de saber que eu acredito muito no poder transformador de fazer as nossas próprias coisas, de entender custos, perceber quanto trabalho está envolvido na produção de alguma coisa (assim dá até pra comprar mais consciente quando for o caso!). O Sesc tem sempre cursos maravilhosos, mas essa programação de janeiro, chamada Pano Pra Manga tá especial: tem oficina de corte e costura, de transformação de velhas roupas em novas com as meninas do Roupa Livre e até de colares em cerâmica com a querida Dani Yukari.

// aprendendo a escolher melhor

Minha meta para esse novo ano é ajudar pessoas a fazerem escolhas melhores, seja na beleza, na moda ou na alimentação. Foi por isso que criei a Jornada de Beleza do Bem, para quem quer fazer escolhas de beleza mais conscientes, mais saudáveis e/ou mais amigas dos animais e ainda não sabe muito bem por onde começar. A jornada acontece em cinco encontros presenciais, mas eu quero adaptar em breve essa metodologia para workshops e até para quem não mora em São Paulo. Quem tiver interesse pode sinalizar respondendo a esse e-mail! ;)

// aprendendo a cultivar uma horta em casa

Que delicioso é utilizar na cozinha comidas plantadas por nós mesmos. Nem que sejam apenas temperinhos, a experiência de cuidar e colher é muito enriquecedora. E olha, não precisa de muito! Dá pra fazer no cantinho da janela, dentro de apartamento, em vasos ou canos de pvc! O viveiro de mudas orgânicas Sabor de Fazenda, em São Paulo, oferece vários cursos interessantíssimos e você já sai de lá com todos os apetrechos pra começar!

// aprendendo sem sair de casa

Confesso, tenho dificuldade com ensino a distância. Se eu não tenho que sair de casa, não me comprometo e acabo deixando o curso de lado. Mas os mais disciplinados podem aproveitar as centenas de cursos oferecidos pelo Coursera. Fui olhar os cursos disponíveis e já me apaixonei por três, mas minha indicação é esse: Greening the Economy.

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