fazer

Carta #4 | aprendendo sempre

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É muito provável que você tenha chegado aqui buscando por mudanças. E o início de um novo ciclo pode ser um momento muito propício pra gente fazer um balanço e repensar nossos hábitos e nosso estilo de vida! É certo que eu vou tentar ajudar como puder nessa tarefa, inclusive contando como fiz mudanças na minha própria vida, compartilhando conhecimentos e descobertas.

Saiba que mudanças levam tempo e normalmente requerem um pouco de adaptação. Esqueça a pressão da virada do ano, faça no seu tempo. Só assim as mudanças serão duradouras. Tenho observado a motivação das pessoas para mudar, buscando o lugar de onde vem a energia transformadora delas. Percebi que as pessoas que mais me convencem e encantam se movimentam não com um projeto que vai sair na capa da revista ou na manchete do jornal, mas por uma vontade que vem do peito, um sentimento legítimo e espontâneo, nada ensaiado.

Um motor de mudança para mim sempre foi o aprendizado, não sei se é porque sou muito curiosa ou se é um caminho comum para muita gente. Alguém disse que a gente nasce pronto e vai desaprendendo: que bom! Assim a gente tem essa brecha pra entrar em contato com novas ideias, conhecer novas pessoas! Eu acho mágico sentar em uma sala com a cabeça vazia, ao lado de outras pessoas buscando as mesmas coisas, e fazer minhas anotações, ouvir atentamente cada palavra, perceber cada gesto.

Fiz um compilado de ideias para aprender já. Se você aceitar esse convite pra encarar 2016 com o copo vazio me conta da sua experiência. Me conta também o que você gosta de aprender, quem sabe entra na minha lista pessoal?

// aprendendo a cozinhar

Eu acho que todo mundo deveria saber cozinhar, pelo menos uns cinco pratos de sobrevivência. Isso deveria fazer parte do currículo escolar. Eu, que já sou iniciada na cozinha, estou muito interessada nessa aula de culinária Síria que faz parte do Migraflix, uma ação que tem como objetivo aproximar brasileiros de imigrantes com workshops culturais. A gente pode trocar muito com quem deixou sua terra natal em busca de uma vida melhor.

// aprendendo a fazer

Quem assina a newsletter desde o comecinho tá cansado de saber que eu acredito muito no poder transformador de fazer as nossas próprias coisas, de entender custos, perceber quanto trabalho está envolvido na produção de alguma coisa (assim dá até pra comprar mais consciente quando for o caso!). O Sesc tem sempre cursos maravilhosos, mas essa programação de janeiro, chamada Pano Pra Manga tá especial: tem oficina de corte e costura, de transformação de velhas roupas em novas com as meninas do Roupa Livre e até de colares em cerâmica com a querida Dani Yukari.

// aprendendo a escolher melhor

Minha meta para esse novo ano é ajudar pessoas a fazerem escolhas melhores, seja na beleza, na moda ou na alimentação. Foi por isso que criei a Jornada de Beleza do Bem, para quem quer fazer escolhas de beleza mais conscientes, mais saudáveis e/ou mais amigas dos animais e ainda não sabe muito bem por onde começar. A jornada acontece em cinco encontros presenciais, mas eu quero adaptar em breve essa metodologia para workshops e até para quem não mora em São Paulo. Quem tiver interesse pode sinalizar respondendo a esse e-mail! ;)

// aprendendo a cultivar uma horta em casa

Que delicioso é utilizar na cozinha comidas plantadas por nós mesmos. Nem que sejam apenas temperinhos, a experiência de cuidar e colher é muito enriquecedora. E olha, não precisa de muito! Dá pra fazer no cantinho da janela, dentro de apartamento, em vasos ou canos de pvc! O viveiro de mudas orgânicas Sabor de Fazenda, em São Paulo, oferece vários cursos interessantíssimos e você já sai de lá com todos os apetrechos pra começar!

// aprendendo sem sair de casa

Confesso, tenho dificuldade com ensino a distância. Se eu não tenho que sair de casa, não me comprometo e acabo deixando o curso de lado. Mas os mais disciplinados podem aproveitar as centenas de cursos oferecidos pelo Coursera. Fui olhar os cursos disponíveis e já me apaixonei por três, mas minha indicação é esse: Greening the Economy.

// Esse texto foi escrito originalmente para a minha newsletter. Para se inscrever, clique aqui.

Carta #3 | a última monotemática

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Quando eu assumi a responsabilidade de criar essa newsletter já me imaginei pegando na mão de cada um de vocês assinantes pra conversar sobre um cotidiano mais consciente, trazer questionamentos que ajudem a fazer escolhas melhores e, claro, compartilhar meus aprendizados. Eu quero inspirar ações e conversas no offline, onde a vida real acontece. Me contem sobre seus desejos, as mudanças que estão conseguindo fazer, os planos. Minha caixa de entrada tá aberta pra vocês!

Falando em inspiracão, a gente pode usar a comemoração de Natal pra plantar sementinhas do bem, cultivar bem-estar e demonstrar nossas convicções. Dá pra fazer tudo isso sem criar atritos, só sabendo que agir é mais valioso do que falar. Pensei em uma pequena lista que pode guiar quem quiser comemorar de forma mais leve, deixando de lado a tensão da corrida maluca pelos presentes.

// sabores coloridos

Dedique tempo e carinho para cozinhar um prato vegano. A culinária vegetal pode ser muito rica de sabor e conquistar corações sem nem sequer uma palavra. Eu salvei algumas receitas simples que já postei no Instagram com a hashtag #culináriavegetal, dá uma olhada! Eu também adoro as receitas da Sandra, ela tem um jeito único de imaginar combinações, que eu amo muito!

// pense em significado

Pode ser que uma pessoa querida esteja precisando mais do seu tempo do que um presente que seu dinheiro pode oferecer. Presença é artigo raro no mercado, quase ninguém tem e muito pouca gente oferece. Que tal ajudar essa pessoa a preparar a ceia de natal, ou levá-la para um passeio? Assim você demonstra o que é realmente importante pra você, que sua prioridade é fazer um carinho e não se render ao consumismo.

// quem faz, entende.

Já disse mil vezes aqui como eu acho importante nos aproximarmos da produção das coisas, para entendermos seu valor. Um presente com significado, feito pensando em quem a gente gosta, nos jeitos que a pessoa pode usar ou consumir aquilo, é muito mais interessante. No fim desse e-mail estão as informações pra quem quer participar do encontro que eu tô promovendo pra quem quer fazer os próprios presentes. Também listei no meu instagram algumas opções pra fazer em casa, tem desde cosméticos até granola caseira (delícia!). Dá pra ver tudo buscando pela hashtag #aimportânciadofazer!

// cultive boas histórias

É certo que você vai ter muitas conversas durante o Natal, então tenha bons “causos” pra contar. Saiba de onde vem o que você está usando. Se você deu um presente comprado, saiba a história daquela marca e sua visão de mundo. Pense em bons momentos que aconteceram ao longo do ano que você possa compartilhar.

Conclusão: se sua vida estiver alinhada com seus valores, a expectativa das pessoas a sua volta será outra. Você vai conseguir respeito e admiração em troca. A gente pode explicar porque toma as decisões, mas a gente só vai ter palavras pra fazer isso se os gestos forem verdadeiros.

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Carta #2 | uma conversa sobre o "fazer"

Esse mês mal começou e já dá pra dizer que estou obcecada por um único assunto: o fazer. Claro, estou sendo super influenciada com a chegada do natal, questionando se a gente tem mesmo que comprar presentes, se faz sentido gastar tanto dinheiro. E, principalmente, se aquela pessoa que a gente gosta tanto e que faz parte da nossa vida o ano todinho merece ganhar um presente mais ou menos, sem alma, comprado em uma loja que não diz nada.

Será que não vale dar um agrado que demonstra nossa visão de mundo, nossos valores? Além de gostar demais da ideia de presentear com um pedaço de mim (=algo que eu fiz/que eu busquei aprender fazer), tenho certeza de que vou agradar muito mais e começar conversas deliciosas. Vou ter a oportunidade de contar pra muitas pessoas como o “fazer” é transformador. Uma amiga, me explicando o que achava dos presentes feitos a mão disse: “…requer tempo, um pensar verdadeiro na pessoa que recebe, empenho e coração!”. Não poderia falar melhor, é isso!

E eu já disse por aí que o fazer nos dá a oportunidade de testar o valor intangível das coisas, de entender o que é realmente difícil, trabalhoso, demorado. Principalmente na cidade grande que a gente vive, o lugar que a gente compra é muito longe do lugar onde as coisas são feitas, então a gente não está acostumado a pensar e enxergar esse processo. Quando eu faço os meus cosméticos, quando eu cozinho, ou quando eu costuro, eu passo a ter base pra decidir se eu prefiro comprar de quem faz ou de quem tá só sentadinho mandando os outros fazerem barato.

Sabe o que é mais legal? Nem precisa nascer sabendo, pra quase tudo a gente encontra tutoriais em vídeo na internet, e o que não achar, pode perguntar pra avó, pra vizinha… Pense nas infinitas possibilidades de encontro que produzir sua própria roupa ou assar um bolo pode trazer. E olha, também não precisa ir na 25 de março (uma rua de comércio popular em São Paulo, pra quem é de fora) e comprar um monte de coisas para misturar e fazer um presente. Dá pra fazer bastante coisa com o que se tem em casa, dá pra repensar se precisa mesmo de embalagem.

E apesar do gancho dos presentes, fazer é mais que isso: é sobre construir, transformar, resgatar origens, criar vida a partir do nada e também compartilhar. Vamos pensar nisso agora ou vamos deixar pro ano que vem? Quem quiser se encontrar comigo pra colocar a mão na massa já, ainda esse mês, põe o dedo aqui (responde esse e-mail) que eu mando as instruções.

Beijos,

Fê Canna ;)

Fazer é uma alternativa pra quem tá repensando o consumo, pra quem quer ter o controle da própria vida, não é uma regra pra encontrar a felicidade. Dá pra escolher presentes de forma melhor também, recomendo muito esse texto aqui da Oficina de Estilo.

Pra quem quer fazer as próprias roupas, eu indico sempre o Ateliê Vivo. Além de ser uma biblioteca compartilhada de modelagens, dá pra fazer lá mesmo seus projetos, com ajuda de um especialista. Quem quiser saber mais pode ler esse texto aqui.

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